Pegou o telefone e discou.
- Agência de empregos "Hoje é o seu dia", bom dia!
- Bom dia, eu gostaria de preencher um cadastro de interesse.
- Pois sim, qual o seu nome completo?
- Joan Souza Martins.
- Data de nascimento?
- Vinte e um de maio de mil novecentos e oitenta e sete.
- Sexo?
- Como assim, sexo? Se gosto de sexo? Mas é claro!
- Não, não, masculino ou feminino?
- Ah, por mim tanto faz, desde que a pessoa seja bacana...
- Não! Digo, o senhor, senhora, ahn, você, não me compreendeu bem. Quero saber se você é homem ou mulher.
- Ah, agora entendi...
- Pois bem, masculino ou feminino?
- Hum, qual a relevância dessa pergunta?
- Para mim, nenhuma. Mas para a empresa...
- Como assim, para a empresa? Não vivemos em uma sociedade igualitária? Em que mulheres e homens podem ocupar os mesmos cargos, realizar as mesmas tarefas... Para que se importar com qual dos instrumentos reprodutivos eu nasci? Isso é uma ficha para vaga de ator pornô, por um acaso?
- Não, senhor, senhora, digo... Escute bem, eu estou aqui apenas para disponibilizar à empresas dados relevantes sobre quem procura por um emprego. E, se está aqui sexo, significa que para elas é importante saber se você é homem ou mulher.
- Mas por quê? O fato de eu ser XX ou XY não tem tão grande relevância na minha inteligência ou força, que peçam meu mapeamento genômico então...
- Meu senhor, senhora ou seja lá como devo tratar, eu estou aqui apenas preenchendo um formulário, sem o/a conhecer, ver ou identificar seu sexo por seu nome ou voz. Porém, eu realmente preciso marcar um X em feminino ou masculino, não nos dois ou em nenhum. Então, o que vai ser?
- Deixa pra lá, eu ligo quando as coisas realmente mudarem.
Ananda S.M.
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